O Holismo e a Herança Cultural

Psicoterapia Holística

Holismo é uma tendência que sintetiza o ser humano como um todo indivisível, e que não pode ser explicado pelos seus distintos componentes, considerados separadamente.

A Herança Cultural é aquilo que recebemos das gerações anteriores, ou seja, o conjunto de características humanas que não são inatas, que nasceram, se preservaram ou aprimoraram através do relacionamento dos indivíduos em sociedade.

Este é o tripé que se apoia o autoconhecimento que tem como base cada um conhecer-se a si mesmo, pois não herdamos destino e certeza.

 

Segundo Ivar Lissner (1968), “[...]

Tudo o que fazemos, pensamos e criamos baseia-se no vasto alicerce das antigas civilizações”. (1)

Devemos nos acostumar a problematizar para harmonizar nossos desejos com a realidade.

A antiga civilização egípcia (3.150 a.C) acreditava que o ser humano tinha seus atributos em uma identificação simbólica constituída de alma, corpo físico, energia vital, nome e sombra, e esses símbolos, lhe era familiar na vida consuetudinária.

Interpretavam as sete cores, por exemplo: Preto: fertilidade; Branco: alegria; Vermelho: sexualidade; Amarelo: eternidade; Verde: vida; Azul: o Rio Nilo.

O futuro era profetizado através da interpretação dos sonhos. A música e a dança eram entretenimento habituais.

Dominavam a construção civil e sua principal matéria-prima era o barro, usado na fabricação de tijolos para a construção de casas, templos e imagens.

Acreditavam que o deus NUN tinha seu espírito feito de barro.

 

Foram pioneiros do desenvolvimento da escrita e dos estudos da anatomia humana (por exemplo: a preparação para o processo de mumificação).

Os Egípcios não conceituavam, eles ampliavam o autoconhecimento por meio da ideia daquilo que existe ou pode existir e suas implicações simbólicas específicas.

Os gregos, incentivados pelo apelo do deus APOLO “Conhece-te a ti mesmo...” no sec. VII a.C, formaram uma corrente de filósofos (“amigos da sabedoria”) que expressaram tendências que influenciam e ampliam o autoconhecimento até os dias atuais.

No sec. V a.C, Anaxágoras, afirmava que corpo e espírito são duas entidades diversas; Protágoras, Górgias e Isócrates (os sofistas) sustentavam que a experiência é tudo, que a sabedoria depende de investigações e que não há verdade objetiva; Empédocles, dizia que o conhecimento é contato, acordo e afinidade do semelhante com o semelhante e que é pelo fogo em nós que conhecemos o fogo.

No sec. IV a.C, Epicuro de Samos, falava do livre-arbítrio; o discurso de Platão, era de que as ideias e existência material são separados e, Zenão de Sicio, afirmava que o indivíduo tem uma alma eterna.

Psicoterapeutas, antropólogos, filósofos, sociólogos e os mais diversos cientistas sociais têm estudado a questão do autoconhecimento.

Thomas Hobbes(1588-1679), autor do livro Leviatã, dizia que se aprende mais estudando especificamente os sentimentos dos outros que influenciam nossos pensamentos e motivam nossas ações.

Benjamin Franklin(1706-1790), afirmava que: “Há três coisas extremamente duras, o aço, o diamante e conhecer a si mesmo.

Rudolf Steiner (1861-1925), apresentou o modelo do triângulo e do quadrado como uma contribuição para a representação do corpo humano.

Sigmund Freud(1856-1939), dividiu a mente humana em três estruturas básicas: ID, SUPEREGO e EGO, afirmando que cada uma estrutura zelaria por determinada qualidade ou conjunto parcial da nossa personalidade e regularia a ação que se exerce mutuamente entre duas ou mais coisas, ou entre duas ou mais pessoas.

Carl Gustav Jung (1875-1961), desenvolveu os conceitos de personalidade, inconsciente coletivo e arquétipos. A vitória da extroversão sobre a introversão de Jung é resumida no fato do seu casamento em 1903 com Emma Rauschenbach o que foi interpretado por Jung “como um “sim” ao mundo de sua parte, o triunfo da sua personalidade número um e o eclipse da sua personalidade número dois, durante um longo período”.

Sobre o inconsciente coletivo nos diz Jung que é herança comum a toda a humanidade, “um domínio secreto cujo murmúrio podemos surpreender, mas que nos desliza entre os dedos” e que nos é revelado tanto pelos sonhos como pelos mitos, contos e lendas. (2).

Jung chama de instinto, os impulsos fisiológicos percebidos pelos sentidos que também podem, ao mesmo tempo, manifestar-se como fantasias e revelar, a sua presença apenas através de imagens simbólicas desconhecidas.

Segundo Jung, “o arquétipo é uma tendência para formar as mesmas representações dessas imagens simbólicas que se repetem em qualquer época e em qualquer lugar do mundo.” (3)

Os mais conhecidos arquétipos de Jung são: a persona: que representa o conjunto de funções que revelam a relação do indivíduo com o seu contexto.

A anima (nossa porção feminina) e o animus (nossos lado masculino) e a sombra (nossas característica inconscientes).

O arquétipo sombra também pode ser considerado o lado “escuro” do ser humano. Geralmente não toleramos o nosso lado escuro e, por isso, ele se revela quando projetado nos outros, ou seja, a dúvida sempre é do outro.

Acompanhe este comportamento: aquele tipo antipático que às vezes se revela para você, talvez seja a sua sombra querendo lhe transmitir alguma mensagem.

Segundo Magalhães, “é bastante comum sonhar com a sombra, pois o inconsciente aproveita os sonhos para aproximar o ego (como você se percebe e se mostra para o externo) e a sombra realizando uma integração, ainda que precária.”

Entretanto, sombra, lado oculto ou lado “negativo”, não pode ser justificação para as nossas atitudes ou para as dos outros, pois a sombra, conforme as ideias de Jung, significa perceber que temos uma negatividade e que exclusivamente por apego não a aceitamos.

Talvez, com o tempo, a sombra deixe de ser projetada, pois já aprendemos a superar os desafios que se nos apresentam.

Problematizando na situação, você descobrirá que seus “defeitos” revelados pela sombra são o reverso de suas qualidades potenciais ainda não desenvolvidas.

Quanto maior for o “defeito”, tanto maior é a qualidade escondida por trás daquele “defeito” (4).

Para os antigos egípcios, a sombra não era um arquétipo, era uma bênção para a proteção externa do corpo físico.

Para Rudolf Steiner, “atualmente o ser humano possui, de manhã à noite, o que chamamos de consciência objetiva, que lhe mostra as coisas de forma a lhe parecerem exteriores a ele próprio, e com as peculiaridades demonstradas pelos sentidos.” (5)

(1) LISSNER Ivar. Assim Viviam Nossos Antepassados. 5ª Edição. Editora Itatiaia Limitada. Belo Horizonte- MG. 1968;

(2) AKOUN André (AA).Os 10 Grandes do Inconsciente. Tipografia Guerra – Viseu / Portugal. 1979. Pg 111, 114 E 115.

(3) JUNG Carl G. O Homem e seus Símbolos. 20ª impressão. Edição especial brasileira. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro-RJ. 1977. Pg 67 e 69.

(4) MAGALHÃES Luciano Alves. Lampejos-Um ensaio sobre o método quadrifocal para a expansão da consciência. Ofhicina de Arte e Prosa. Belo Horizonte – MG. 1997. Pg 163 e 164

(5) STEINER Rudolf. As origens do Pai-Nosso. 4ª Edição. Editora Antroposófica. São Paulo-SP. 2002. Pg. 30.

 

 

Raimundo Amim Lima Haddad - CRT 38326 - Terapeuta Holístico

amimhaddad@amimhaddad.com

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