Relações Sociais E Afetivas

Psicoterapia Holística

No ato do atendimento psicoterapêutico observa-se uma profusão de opções de relações sociais e afetivas nas quais o cliente não percebe o que está transferindo.

Também é revelado um pleno desenvolvimento da cultura familiar que influencia inconscientemente os seus pensamentos e as suas emoções mais primitivas como a aceitação e a aprovação.

Externamente, são evidentes as regras sociais do contexto, que estão internalizadas e apropriadas como cultura própria.

 É certo que as crenças, os valores e os princípios sociais, nos influenciam mesmo que não tenhamos consciência deles, pois precisamos escolher o feitio do nosso comportamento e, ao escolhermos, revelamos o que somos.

Por exemplo, podemos escolher entre amar e não amar, mesmo porque, talvez o amor romanesco seja um risco necessário.

Todavia, não temos garantias do que sentimos tampouco certezas do que o outro sente.

Essa dileção requer responsabilidade pela privança escolhida.


Entretanto, escolher depende do autoconhecimento, do capital social, do lineamento de informações e, da capacidade de se ter uma visão panorâmica para focar na livre escolha.

A opção de escolher não escolher é um auto-engano, pois também se está escolhendo.

Isso pode fazer com que se excedam os limites da moderação, do comedimento, da circunspeção e, indeterminação do rumo da vereda.

Vejamos o que diz o professor clínico da Harvard Medical School, Dr. John J. Ratey:

Para conhecermos a nós próprios, cada um deve tornar-se um bom observador de si mesmo, e é por essa razão, mais do que por qualquer outra, que nos cumpre estudar o objeto que impulsiona e conduz a nossa lógica, imaginação e paixão.

Na verdade, tanto quanto os indivíduos devem estar aptos a lutar ou fugir, eles necessitam igualmente de sociabilidade, a qual é necessária à sobrevivência humana.

Os adultos que se isolam do mundo são os mais propensos a morrer em idades comparativamente prematuras. Temos uma dependência central dos outros.

Estamos programados para viver em grupo. O cérebro humano necessita e quer interagir com outras pessoas.

Anseia por amar e trabalhar para manter uma relação primária. RATEY (2002). ¹

Será sempre saudável reconhecermos que também somos imperfeitos. Às vezes, agimos de acordo com os nossos mecanismos de controle defensivo.

No entanto, as experiências comportamentais e os processos mentais nos levam a evoluir para padrões maturados e resistentes.

É evidente que temos um padrão de reação para manter nossa integridade e dignidade.

Assim, as atitudes e as experiências vividas num relacionamento também são refletidas em nossas ações e comportamentos.

Talvez, o autodomínio físico e psíquico das relações afetivas seja um engano dos sentidos ou da mente, o que faz com que se tome uma coisa por outra, ou que se interprete erroneamente um fato ou uma sensação.

Às vezes, sentimos a similitude desse autodomínio, entretanto, isso é robustamente putativo.

Experiências acumuladas são aproveitadas para validar até onde vai o nosso autodomínio e, para determinar a intensidade mínima abaixo da qual um estímulo deixa de produzir uma determinada resposta para a revelação da realidade, da idealização e do possível.

Isso também pode ser entendido como sendo a liberdade e a responsabilidade de viver com absoluta coerência e espontânea vontade.

É uma forma peculiar e exigente, todavia, quando estamos livremente convictos, a mente é uma aliada poderosa.

O norte-americano Daniel G. Amen, neurocientista e perito reconhecido em relacionamento entre o cérebro e o comportamento humano assim dispõe:

A formação de laços, odores, a sexualidade e o sistema límbico profundo estão intimamente ligados.

Napoleão uma vez escreveu para Josefina pedindo para que ela não tomasse banho duas semanas antes de ele voltar para casa de uma batalha.

Ele queria que seu odor estivesse forte, porque isso o excitava sexualmente. É provável que cheiros positivos sexuais esfriem o sistema límbico profundo superativo, muitas vezes associado com a melancolia, que pode resultar em diminuição do interesse sexual.

O orgasmo tem sido descrito como uma miniconvulsão do sistema límbico e tende a liberar ou a diminuir a atividade límbica.

A sexualidade é boa para o cérebro humano no sentido de formação de ligação. AMEN (2000) ²



É perfeitamente possível assumirmos a direção da nossa vontade nas nossas relações sociais e afetivas.

Entretanto, isso é grande um desafio.

De acordo com o Rudolf Steiner (1861-1925):

Hoje o homem é essencialmente um ser cognitivo, e sua vontade ainda se acha limitada em várias direções.

O homem pode compreender o mundo que o cerca, em sua universalidade, até certo grau. Imaginem, porém, quão pouco ele é capaz de querer daquilo que compreende, e como é limitado seu poder sobre o que pode conhecer. Entretanto, o futuro lhe trará o que hoje ele ainda não possui. STEINER (2002)³

Em outro giro, podemos evoluir, tanto em processos mentais quanto em comportamentos? Claro que sim.

Somos os universitários da eterna e maravilhosa “universidade holística”, nos tornando melhores a cada dia, tanto na forma de pensar, quanto de sentir, de agir, e, de se integrar com os outros.

Dinâmicos, estamos sempre evoluindo e, filosoficamente, problematizando os nossos relacionamentos com outras pessoas.

A motivação e o entusiasmo são importantes para a nossa evolução social e afetiva, principalmente, se estivermos no ritmo da dança social.

Às vezes, somos resistentes à possibilidade de mudar, e nesse sentido, a ampliação do autoconhecimento é imperiosa.

Em algumas ocasiões percebemos as emoções e conseguimos revelar a nossa própria vida de modo diferente, nos dando conta do que é necessário para transformação e evolução, pois tudo o que fazemos afeta tudo o que se segue.

O neurocientista português António R. Damásio afirma:

É bem sabido que, sob certas circunstâncias, as emoções perturbam o raciocínio.

As provas disso são abundantes e estão na origem dos bons conselhos com que temos sido educados.

Mantenha a cabeça fria, mantenha as emoções afastadas! Não deixe que as paixões interfiram no bom juízo.

Em resultado disso, concebemos habitualmente as emoções como uma faculdade mental supranumerária, um parceiro do nosso pensamento racional que é indispensável e imposto pela natureza.

Se a emoção é aprazível, fruímo-la como um luxo; se é dolorosa, sofremo-la como um intruso indesejado. Em qualquer dos casos, o conselho dos sábios será o de que devemos experenciar as emoções e os sentimentos apenas em quantidades adequadas.

Devemos ser razoáveis. DAMÁSIO (2001).4

Nas relações afetivas, as emoções podem ser controladas e fortalecidas com treinagem de desprendimento das experiências negativas que se tenha acumulado ao longo do tempo.

As emoções positivas nos deixam tranquilos, protegidos e capazes de superar desafios. Entretanto, em se tratando de relações sociais, rematamos e nos adequamos ao outro com algumas opções de comportamento, agindo de forma a tornar o relacionamento respeitoso, feliz e durável.

Vejamos o que dizem KHALSA & STAUTH (1997):

Há outro fenômeno biológico que é mais destruidor para a felicidade. Se a bioquímica do cérebro ficar muito abalada por um longo período, essa destruição pode levar a um estado físico chamado anedonia, isto é, a incapacidade de sentir prazer.

Na anedonia, você não será capaz de ficar excitado, feliz ou alegre. 5

A ampliação do autoconhecimento das nossas relações sociais e afetivas também maximiza nossas forças, minimiza nossas fraquezas, aumenta nosso autodomínio sobre as emoções, extingue os comportamentos negativos e os conflitos dos processos mentais.


¹ RATEY J. John. O Cérebro, Um Guia Para O Usuário. Ed. Objetiva. Rio de Janeiro. 2002. p 17 e 368

² AMEN G. Daniel. Transforme Seu Cérebro, Transforme Sua Vida. Ed. Mercuryo. São Paulo. 2000. p 49

³ STEINER Rudolf. As Origens do PAI-NOSSO. 4ª edição. Ed. Antroposófica. São Paulo 2002, p 16

4 O Erro de Descartes. Ed. Companhia das Letras. São Paulo. 2001. p 77

5 KHALSA Sing Dharma & STAUTH Cameron. Longevidade do Cérebro. Ed. Objetiva. 6ª edição Rio de Janeiro. 1997. p 103

 

Raimundo Amim Lima Haddad - CRT 38326 - Terapeuta Holístico

Raimundo Amim Lima Haddad - CRT 38326 - Terapeuta Holístico, trabalha com Reiki, Calatonia, I Ching, Florais, Terapia Corporal e Fitoterapia, dentre outras técnicas.

amimhaddad@amimhaddad.com

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