A Escuta Holística

Aconselhamento

Escuta Analítica - Arte Digital: Henrique Vieira Filho - Modelo: Rilda Escuta Holística significa estar atento para ouvir  e acolher o cliente como ele é.

Tem como objetivo revelar  um perfil preliminar do cliente para que se torne possível a validação do conjunto de domínios comportamentais, cognitivos, emocionais, e os  desequilíbrios revelados nas suas imagens holísticas,  facilitando os acessos para a definição da terapêutica a ser aplicada.

 

A necessidade de compreender e se fazer compreender levarão  à simplificação, e assim, não deve haver qualquer preocupação com o relacionamento Terapeuta x Cliente, porém, o primeiro deve aceitar e ao mesmo tempo ser capaz de contestá-lo para evitar uma cumplicidade de admiração mútua.

É sabido que as probabilidades ditam lei quando se tem o que fazer com um número  amplo de percepções. A Escuta Holística pode ser subsidiada pelos duzentos e trinta e sete indicadores específicos, interpretações adicionais, leituras básicas, específicas e complementares, com correlações estatisticamente acertadas que estão disponíveis em www.sinte.com.br/revistaterapiaholistica/, pois o cliente poderá expressar uma forma pessoal que não tenha nenhuma relação aparente com o que o Terapeuta está ouvindo.

O sociólogo francês André Akoun (1924-2010), em seu estudo Sigmund Freud: a ciência do inconsciente dispõe: “um paciente, ao experimentar a impossibilidade em que se encontra de integrar o conjunto das suas condutas no curso da sua vida, ao tropeçar em incoerências que o angustiam, aceita dirigir-se a alguém a quem atribuirá a capacidade de esclarecer a situação graças ao simples efeito da audição e da palavra. Com efeito, nada acontece numa psicanálise, além de palavras. O psicanalista não detém qualquer saber relativo ao paciente, a não ser sobre o que lhe será revelado pelo discurso deste e pelos seus silêncios”¹. O Terapeuta Henrique Vieira Filho exarou uma normalização na qual define: “O Aconselhamento é parte integrante do trabalho de todo verdadeiro Terapeuta, independentemente de quais outros métodos adote.”² E arrematou brilhantemente: “A escuta é a competência de base indispensável ao exercício de outras capacidades, como a de reformular os conteúdos de uma entrevista, sentimentos e emoções expressas.” ³

 

Assim, o Terapeuta deve procurar compreender as prováveis resistências do cliente da forma mais profunda possível tendo em vista que são prevalentemente inconscientes e podem ser transferidas. Elas se exprimem sob forma de repulsa, impressão de estar sendo envolvido em algo insignificante, ou ainda sensação de ser ridículo. É mais importante aprender a compreendê-las do que eliminá-las, sugerimos a observação atenta e audição adequada ao ritmo do relato. Se o Terapeuta tem a impressão de ter compreendido imediatamente, logo verificará que também está preso a uma resistência. Por essa razão, enquanto escuta o cliente, é importante evitar interpretação efêmera.     

Para o psicanalista britânico Phil Mollon  “ A mente inconsciente, mediando a psique consciente e o soma, retém os processos de pensamento imagético visuais e holísticos do hemisfério cerebral direito. Talvez a terapia psicanalítica implique uma tendência maior para o funcionamento do hemisfério direito tanto no paciente quanto do analista durante a sessão. A atenção volta-se para as imagens e metáforas e outras particularidades da linguagem do inconsciente (o “processo primário”). O analista ouve com o lado direito do cérebro, o que é coerente com a recomendação de Freud de que “ele deve voltar o seu inconsciente, como se fosse um órgão receptor, para o inconsciente transmissor do paciente”. A propensão para o modo de funcionamento do lado direito ou do lado esquerdo do cérebro pode influir na tendência para um ou outro tipo de psicoterapia. A terapia cognitiva implica claramente a atividade do hemisfério esquerdo (em geral preferida por homens e por quem tem um perfil “racional” ou científico) e é o oposto da psicanálise, que se fundamenta na receptividade do hemisfério direito do cérebro. ”4

O Terapeuta que desejar firmar os pés na Escuta Holística e no Aconselhamento deve ter bem claro, mediante profunda reflexão, que a inquirição sobre a origem da causa da queixa do cliente deve cessar em algum ponto, pois ao ultrapassá-lo, estará praticando um mero jogo de pensamento.

Uma primeira indagação: de que vale o atendimento se este não for capaz de avaliar os desequilíbrios  do cliente? Afinal, existe uma vasta bibliografia mostrando que o cliente começa acusar sinais de dificuldades bem antes de chegar a um ponto crítico no desequilíbrio. É intuitivamente compreensível que o desequilíbrio, sendo um processo que tem começo, meio e fim, se inicie muito antes de se concretizar.

Uma segunda indagação: qual o caminho a ser seguido se, a rigor, todo cliente tem probabilidade de desequilíbrio? Talvez seja impossível prever um desequilíbrio com 100% de certeza, mas é perfeitamente possível identificar aquele cliente que têm maiores probabilidades ao desequilíbrio não muito distante.

O Terapeuta deve compreender como o cliente está naquele momento, evitar julgamento próprio, ou perder de vista os detalhes revelados nas imagens holísticas. A percepção e a observação são valiosas porque buscam responder as seguintes questões: O que? Como? Por quê? Qual o momento? Em que condições?

Merecem também atenção os seguintes pontos:

a)  homogeneidade das informações;

b) adequação e equivalência entre as informações obtidas nas imagens e na escuta holística;

c)  relevância das informações obtidas.

Haja vista as circunstâncias acima é recomendável que a Escuta Holística seja sempre combinada com a interpretação da posição da imagem, com o traço, com a característica e com o predomínio do segmento tracejado, com a forma, com a ementa, com a avaliação holística, e se necessário, com os subsídios  das  leituras específicas e complementares.

Em alguns casos, apenas a Escuta Holística será a peça fundamental para a conclusão da avaliação da situação do cliente naquele momento. Em outros, a Escuta Holística fornecerá pistas rápidas a serem confirmadas, mas que representam excelentes informações iniciais a serem pesquisadas com mais profundidade por outros caminhos e mesmo que às vezes tais informações sejam apenas suspeitas, podem ser valiosas. É imperioso que os aspectos mais, ou menos importantes, sempre fiquem evidentes. Muitas vezes, a Escuta Holística indicará também importantes perguntas que deverão ser feitas pelo Terapeuta ao cliente de maneira a se ter, de fato, uma resposta final.

De nada serviria reconhecer as diversidades humanas típicas, se isto não apresentasse também um passo adiante para compreender os outros e para aproximar-se deles, porém é preferível que a intimidade  que se desenvolve no trabalho recíproco, tenha dimensão menos concentrada nos aspectos físicos.

De uma maneira geral, cada caso mostra como maiores informações sobre determinada situação podem jogar luz sobre ela e encaminhá-la para a avaliação correta. Conseguir todas as informações sobre um cliente é impossível, o Terapeuta deve saber quais deve obter antes, durante e após a Escuta Holística e estar preparado para uma possível, contudo, sadia desilusão do cliente com a terapia; e mais, o saber, é e será sempre o relato que o Terapeuta escuta, até onde possa ir à vontade de conhecer ou de descobrir o que o cliente revela nas suas imagens holísticas.

A Escuta Holística também ajudará o cliente encontrar o caminho para se reequilibrar, lançar uma luz no fim do túnel, e fornecer esperança. A sedutora esperança de reequilíbrio pode acarretar conforto e confiança. A Escuta Holística faz o cliente se sentir compreendido em profundidade e alonga a sua confiança por não se sentir julgado, e sim   motivado a ampliar incessantemente o seu autoconhecimento.

 

Para saber mais:

www.sinte.com.br/revistaterapiaholistica/   

www.holopedia.com.br

¹ Akoun André (A.A.). PSICOLOGIA MODERNA - Os 10 grandes do inconsciente. Sigmund Freud: a ciência do inconsciente. Tipografia Guerra-Viseu/Porgual 1979.

 

²Vieira Filho Henrique. NTSV-TE 001 “TUTORIAL TERAPIA HOLÍSTICA”, 2a Edição 2004, - CONAN – Conselho Nacional de Auto-Regulamentação e Normalização Voluntária – São Paulo-SP. www.sinte.com.br

 

³ Vieira Filho Henrique. ACONSELHAMENTO NA TERAPIA HOLÍSTICA. Maximizando seu atendimento com a inclusão da Psicoterapia. http://www.holopedia.com.br/index.php?action=artiel&cat=2&id=43&artlang=pt-br

 

4 Phil Mollon. CONCEITOS DA PSICANÁLISE O INCONSCIENTE. Duetto Editorial. SP 2005.

 

Para saber mais:

www.holopedia.com.br

 

>Raimundo Amim Lima Haddad - CRT 38326 - Terapeuta Holístico

Raimundo Amim Lima Haddad - CRT 38326 - Terapeuta Holístico, trabalha com Reiki, Calatonia, I Ching, Florais, Terapia Corporal e Fitoterapia, dentre outras técnicas.

amimhaddad@amimhaddad.com

 

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