A Arte do Aconselhamento

Aconselhamento

A somatória das técnicas de abordagens somáticas com as de enfoque psíquico resultam em algo maior que a soma das partes.

Bem integradas, constituem a essência da Terapia Holística e em Clientes e Profissionais vivenciando uma relação terapêutica mais profunda e GRATIFICANTE.O Aconselhamento, cujo aprendizado é relativamente simples e intuitivo, em especial para quem exerce outras formas de Terapia, é de fácil integração às demais técnicas já adotadas em consultório.

Tamanhos são os ganhos tanto para a Clientela, quanto ao Terapeuta Holístico, ampliando exponencialmente o leque de atuação, que este é um caminho obrigatório a qualquer profissional que deseje maximizar seus potenciais e sua realização na carreira.

Bem fundamentado nas técnicas de Aconselhamento, o Terapeuta Holístico mais facilmente pode diversificar, acrescentando outras formas de Psicoterapia ao seu currículo, tais como a Psicanálise Reichiana e Junguiana e a Terapia Transpessoal (que inclui regressão, progressão, vivências, etc...).


Considerando que a gratificação inclui parâmetros subjetivos, é impossível quantificar-se o ganho que se obtém ao enfatizar a abordagem psicoterápica aos consultórios.

Do ponto de vista meramente financeiro, o mercado certamente valoriza crescentemente aos profissionais que integram abordagens corporais às psíquicas.

Quanto ao incremento na satisfação pessoal e profissional, por serem ganhos QUALITATIVOS, só existe um modo de constatar: VIVENCIANDO...

E o trabalho aqui apresentado convida a todos a experienciar esta proposta.

A Psicoterapia é parte integrante do atendimento na Terapia Holística e um de seus maiores diferenciais em relação a outras profissões correlatas. Uma das formas mais práticas e eficientes de introduzir a proposta em consultórios é a implementação de técnicas básicas de Aconselhamento.

Diferente do que popularmente se entende como “dar conselhos”, a conversação terapêutica aplica muito do saber ouvir, pontuando tópicos relevantes com perguntas pertinentes e convites à reflexão.

A receptividade sem julgamentos e empatia que se desenvolve entre Terapeuta Holístico e Cliente conduz a uma relação terapêutica mais eficaz e mutuamente gratificante, implementando o autoconhecimento e, com este, a maximização da Qualidade de Vida, que é o objetivo maior de nosso trabalho.

Ainda que não exista, na prática, uma "fórmula" de como conduzir o processo de Aconselhamento, para fins didáticos, a sequência deste artigo traz definições clássicas, bem como alguns princípios básicos a serem estudados por todos que desejam desenvolver "a Arte de saber ouvir" profissionalmente.
 

ACONSELHAMENTO: processo interativo, caracterizado por uma relação única entre Terapeuta Holístico e Cliente, levando este ao autoconhecimento e a mudanças em várias áreas, sendo as mais comuns: comportamento, elaboração da realidade e/ou preocupações com a mesma, incremento na capacidade de ser bem-sucedido nas situações da vida (aumento máximo das oportunidades e minimização das condições adversas), além de conhecimento e habilidade para tomada de decisão. O Aconselhamento é parte integrante do trabalho de todo verdadeiro Terapeuta Holístico, independentemente de quais outros métodos adote.


 

Bases do aconselhamento: ATITUDES

 

2.1 ESCUTAR

A escuta, no aconselhamento, se diferencia daquela que nós experimentamos cotidianamente. Significa uma forma de engajamento em relação ao outro, implicando estar sensível e atento a este.
 
Escutar não se resume ao fato de captar os conteúdos e os sentimentos que o Cliente expõe. Da mesma maneira, a escuta não é um processo terapêutico em si e não é suficiente para completar o desenvolvimento e realizar mudanças.
 

A escuta é a competência de base indispensável ao exercício de outras capacidades, como a de reformular os conteúdos de uma entrevista, sentimentos e emoções expressas.

 

O que é a escuta ?

 

A escuta em aconselhamento, é uma prática que induz imediatamente a um certo tipo de relação entre o(a) aconselhador(a) e o Cliente. Tal experiência de escuta é frequentemente a primeira vivida pelo o aconselhado. Na verdade, ele se sente escutado sem os filtros habituais constituídos pelo julgamento, pela opinião ativa da vida social ordinária, pela avaliação e o análise em certos métodos convencionais.


 

Os níveis de escuta:

 

1 - O primeiro nível concerne o que é dito na relação. No entanto, se ficarmos neste nível, a relação não se desenvolve muito e o Terapeuta Holístico fica em posição “de escutar uma história”.

 

2 - O segundo nível, definido por certos autores como uma “atenção flutuante”, concerne não somente o que é dito mas também o que existe “além das palavras”. O Terapeuta Holístico fica atento às palavras, mas também aos aspectos não-verbais (expressão do rosto, gestos, movimentos dos olhos…) e para-lingüísticos (volume, tom, rapidez…) utilizados pelo Cliente.

 

3 - Além destes dois níveis de escuta, o(a) aconselhador(a) deve também estar atento ao que ele pensa, às suas próprias emoções, às suas próprias sensações corporais. Pois estes indícios podem lhe servir de indicadores do que se passa na relação e o Terapeuta Holístico pode utilizá-los como uma espécie de “caixa de ressonância” do desenvolvimento da relação.

 

Perguntas que o Terapeuta Holístico pode se fazer:

 

Eu sou capaz de escutar o que a pessoa quer me dizer sem me sentir em perigo ?

 

Por que sinto certas dificuldades ao escutar pessoas que provocam em mim sentimentos excessivos e pertubam minha escuta ?

 

Até onde eu posso escutar alguém mantendo-me neutro ?

 

Reflexões:

 

Frequentemente é dificil escutar o outro porque evito escutar o que se passa em mim mesmo.
As mensagens contraditórias da minha comunicação podem parasitar minha escuta.

 


2.2 ACEITAR

 

A aceitação é uma atitude fundamental no aconselhamento. Comunicar sua aceitação implica que todas as atitudes e os comportamentos verbais e não verbais do profissional indicam à pessoa que alguém está tentando compreendê-la, aceitá-la completamente.

 

A aceitação é, algumas vezes, mais importante que a compreensão. A pessoa tem antes de tudo a necessidade de ser aceita como ela é, como se sente, como diz que se sente antes de poder explorar a mudança. Frequentemente, no momento de um evento desequilibrante, a pessoa descobre que a aceitação que acreditava ter conquistada, de tal ou tal pessoa à sua volta, na verdade, não era real. Por exemplo, as pessoas soropositivas viram-se, quase sempre, confrontadas com o luto do amor incondicional dos seus. A confrontação de uma deficiência, em função das angústias que ela suscita, reduz a capacidade de aceitação de pessoas que estão em volta e que têm dificuldades de se confrontar ao sofrimento da pessoa, mantendo-se distantes.

 

Como manifestar seu grau de aceitação ?

 

Ajudando a pessoa a restaurar a auto-imagem e a auto-estima,

 

Ajudando a pessoa a desenvolver uma maior aceitação de si mesma (frequentemente as pessoas são muito severas com elas mesmas: por exemplo, elas não se autorizam ao repouso, elas se sentem culpadas de estarem com problemas…).

 

Perguntas que o Terapeuta Holístico pode se fazer:

 

Sou capaz de aceitar totalmente a personalidade do outro, em uma relação de Conselho?

 

Por que, algumas vezes, aceito certos comportamentos de uma pessoa e desaprovo totalmente outros ?

 

Como posso comunicar minha aceitação em relação aos sentimentos do outro ?

 

Se eu desaprovo uma pessoa, o que faço ?

 

Reflexões:

 

Posso me sentir ameaçado (a) por certos comportamentos de uma pessoa: é importante que eu aceite meus próprios sentimentos em relação à esta para em seguida desenvolver minha aceitação em relação a ela.

 

 

2.3 AUSÊNCIA DE JULGAMENTO

 

O julgamento é um obstáculo na progressão da relação de ajuda. Ele bloqueia a capacidade do outro de se responsabilizar, já que o mantêm na dependência deste. A relação de Conselho deve se estabelecer sem julgamento de valor.

 

Perguntas que o Terapeuta Holístico pode se fazer:

 

Eu posso reduzir o receio que a pessoa tem de ser julgada ?

 

Até onde posso trabalhar minha falta de julgamento ?

 

Por que o julgamento positivo pode ser tão ameaçador quanto o julgamento negativo ?

 

Reflexões:

 

É difícil liberar uma pessoa do seu próprio receio de ser julgada pelos outros.

 

Um julgamento positivo significa que nós avaliamos as capacidades e o valor da pessoa; ela pode deduzir que poderíamos, da mesma maneira, atribuir-lhe um valor negativo.

 

2.4 EMPATIA

 

A empatia é uma forma de compreensão definida como a capacidade de perceber e de compreender os sentimentos de uma outra pessoa.

 

Diferentemente da simpatia ou da antipatia, a empatia é um processo no qual o profissional tenta fazer a abstração de seu próprio universo de referência, mas sem perder o contato com ele, para se centralizar na maneira como a pessoa percebe sua própria realidade. A empatia se resume em uma questão a ser colocada regularmente:

 

O que se passa, neste instante, com a pessoa que está diante de mim ?

 

Numerosos trabalhos afirmam que a empatia é fundamental na entrevista e que a qualidade desta está diretamente ligada à experiência do(a) aconselhado(a) e a qualidade do laço terapêutico, independentemente da teoria à qual o Terapeuta Holístico se identifica. Outros estudos (Mitchell, Bozarth, Krauff et Sloan por exemplo) demonstram bem sua importância, mas não a consideram como determinante.

 

A adoção desta atitude é dificil em certas situações graves que nos forçam naturalmente a nos sentirmos, ao mesmo tempo, afetados, impotentes e que mobilizam em nós, sentimentos como o da injustiça ou o da inquietude. No entanto, uma pessoa confrontada com uma situação dificil precisa em primeiro lugar de alguém presente ao seu lado que a ajude à enfrentar o que ela está vivendo e não uma pessoa que reaja por ela. Pela compreensão empática, o conselheiro ajuda a pessoa à entrar em contato com seus próprios sentimentos e a descobrir o que estes significam.

 

Como manifestar sua empatia ?

 

Verbalizando o que é percebido na pessoa como emoção dominante,

 

Pedindo-lhe para nos dizer o que precisaria mais neste momento,

 

Tentando compreender o ponto de vista da pessoa e o reformulando sem tentar transformá-lo (é por ela mesma que a pessoa, em um segundo momento, modificará seu ponto de vista da situação).

 

Os efeitos da empatia na relação de cuidados:

 

Aumento do nível de auto-estima: “é possível então compreender o que eu sinto sem me dizer que eu estou errada de pensar assim”;

 

Melhora da qualidade da comunicação: “ele não me responde dizendo que ele também pode morrer a qualquer momento, basta por o pé na rua”;

 

Abertura à possibilidade da expressão de emoções profundas: “é verdade que atrás desta raiva se encontram todos os meus medos”.

 

Perguntas que o Terapeuta Holístico pode se fazer:

 

Posso entrar no mundo íntimo de uma outra pessoa e conseguir compreender o que ela sente e o que ela percebe ?

 

Posso me sentir suficientemente próximo de uma outra pessoa me sentindo ao mesmo tempo diferente e perder toda vontade de julgá-la e de avaliá-la ?

 

Reflexões:

 

Pode ser difícil para mim, dizer a alguém como eu a compreendo.

 

O mínimo de compreensão reformulada, mesmo incompleta, ajuda consideravelmente o outro a avançar na compreensão dele mesmo.

 

2.5 CONGRUÊNCIA

 

A congruência pode ser definida como: “o estado de espírito” do profissional de aconselhamento quando suas intervenções durante a entrevista são coerentes com as emoções e as reflexões suscitadas nele pelo Cliente.

 

Supõe, da parte do(a) aconselhador(a), disponibilidade com relação às emoções e aceitação destas. Na verdade, Carl Rogers desenvolve a hipótese que “a mudança da pessoa é facilitada quando o terapeuta é o que é”; quando seus contatos com o cliente são autênticos, sem máscara nem fachada, onde se expressa abertamente os sentimentos e atitudes que invadem seu interior neste momento preciso.

 

A congruência do Terapeuta Holístico vai, de uma certa maneira, autorizar a do cliente. O profissional oferece um espelho de possíveis efeitos que podem provocar a atitude e o comportamento do Cliente numa relação interpessoal onde a integridade e o profissionalismo do(a) aconselhador(a) dão uma garantia que este (a) não está colocando na relação suas próprias neuroses. Muitas vezes, isto favorece ao Cliente,entrar em contato com seus próprios sentimentos.

 

Perguntas que o Terapeuta Holístico pode se fazer:

 

Será que me expresso de maneira a comunicar ao outro a minha imagem ?

 

Como posso distingüir minhas proprias reações das dos outros ?

 

Como posso permitir a uma outra pessoa que ela possa perceber o que eu sou e me aceitar como tal ?

 

Reflexões:

 

Se posso me mostrar tal como sou, se posso reconhecer e aceitar meus próprios sentimentos, posso então favorecer, ao outro, o crescimento e o seu desenvolvimento.

 

Se posso permitir que o outro descubra certos aspectos de minha personalidade, que ele de toda maneira se apercebeu, ele poderá se aceitar melhor.

 

3. Bases do aconselhamento: TÉCNICAS

3.1 Questão aberta

Esta é uma técnica muitas vezes usada para recolher informações ou esclarecimentos sobre um ponto preciso. Em princípio, as questões utilizadas pelo(a)s aconselhadore(a)s são "questões abertas” necessitando de uma resposta mais longa que um simples "sim" ou "não".

As questões abertas encorajam os Clientes a compartilhar seus pontos de vista com o(a) aconselhador(a). Responsabilizam o aconselhado, durante a entrevista e lhe permitem explorar por ele mesmo as atitudes, os sentimentos, os valores e os comportamentos sem ser influenciado pelo universo de referência do(a) aconselhador(a).

O(A) aconselhador(a), através de suas perguntas deve, essencialmente, ser guiado(a) pelo desejo de compreender e ajudar e não pelo único desejo de ser informado(a). A maneira de questionar é determinante, a forma e o tom devem ser o mais distante possível de toda forma parecendo ou lembrando uma inquisição ou um interrogatório.

Como fazer ?

A melhor maneira de praticar uma técnica de Questão aberta é a de focalizar as expressões que são “lugar comum” e que aparecem durante a entrevista considerando que tudo deve ser sujeito de descrição. Por exemplo, uma frase simples como : "estou triste ", é uma expressão "lugar comum " que necessita de ser descrita de maneira mais detalhada porque cada pessoa tem sua própria definição da tristeza. É possível então, por uma simples questão aberta, tentar focalizar mais precisamente o que a pessoa sente realmente (Seria possível me dizer o que sente exatamente quando está triste ? No que pensa nestes momentos ? etc.).

3.2 Reformulação dos conteúdos

A reformulação do conteúdo nos permite verificar se compreendemos bem o que a pessoa queria nos dizer, o que permite re-focalizar a entrevista quando esta parece tomar várias direções ao mesmo tempo. A capacidade de reformar o que o outro acabou de expressar constitui o primeiro nível na aprendizagem da escuta.

A reformulação tem os seguintes objetivos :

Permitir ao profissional verificar seu nível de percepção, para estar certo que ele compreende bem o que a pessoa está lhe descrevendo;

Fazer a pessoa entender que ela está realmente sendo escutada;

Concretizar as observações e os comentários da pessoa retomando o que ela disse de uma maneira mais concisa.

3.3 Esclarecimento (Clarificação)

O “esclarecimento” consiste em tornar mais claro certos aspectos evocados durante a entrevista.

Tem como objetivo aumentar a capacidade de análise e de verbalização do cliente no que concerne as situações, eventos ou sentimentos.

Exemplo :

"Você disse que estava decepcionado. Como assim, decepcionado ?"


3.4 Focalização

 

A “focalização” tem como objetivo estimular o processo exploratório e de facilitar a resolução de problemas.

As funções da focalização :

Desencadear a expressão de uma emoção mais profunda;

Encontrar a origem de um sentimento;

Permitir a pessoa de se reapropriar de seu problema;

Facilitar a resolução de problemas.

Exemplos de perguntas facilitando a focalização :

Poderia tentar me dizer ou imaginar de quem tem raiva ?

O que tem vontade de dizer para esta pessoa ? Se ela estivesse aqui conosco, o que lhe diria ?

Como poderia lhe dizer o que sente ?

Como pensa que as pessoas a sua volta vão reagir ?

O que deduz disto tudo ?

O que vai fazer de tudo que acabou de aprender de si mesmo ?

Como vê a solução do seu problema ?

O que esta solução supõe ?

Como se sente diante deste novo problema ?

3.5 Confrontação

A confrontação consiste em fazer com que a pessoa descubra seu grau de implicação ou de contradição em uma situação e tem como objetivo ajudar e esclarecer.

A confrontação exige do profissional uma grande confiança na sua capacidade de ajudar e também da pessoa ou do grupo de progredir. A confrontação é uma potente “alavanca” propulsora do crescimento das pessoas e do grupo.

Exemplo:

“A senhora me diz se sentir livre para tomar esta decisão mas antes estava dizendo que com ela nunca se sentiu realmente à vontade. Será que poderíamos voltar a este sentimento e examinar os meios que tem para tomar esta decisão ?”

3.6 Os silêncios

O aparecimento de momentos silenciosos é em geral favorável ao processo do aconselhamento, com a exceção daqueles que acontecem no momento das primeiras entrevistas e que podem revelar o medo e o desconforto do Cliente ou do(a) aconselhador(a), ligados ao encontro.

A maior parte do(a)s aconselhadore(a)s ficam em silêncio quando este vem do Cliente e intervem em função do lugar deste na entrevista e do que eles percebem como sendo uma necessidade do outro. O silêncio favorece o começo da relação da pessoa com ela mesma. Será um momento de elaboração importante se puder ser vivido na presença de uma outra pessoa.

Ele favorece a autoconscientização e faz descobrir uma outra forma de presença no mundo.

Tipos de silêncio :

A pausa depois da expressão de um sentimento;

A passagem de um tema a um outro;

A pausa contemplativa;

A pausa dolorosa;

De timidez;

A necessidade de apoio;

Depois da descoberta.


3.7 Técnica do reflexo

A técnica do reflexo dos sentimentos é uma tentativa de compreensão do ponto de vista do Cliente. Consiste em comunicar ao este o que se percebe de suas emoções e sentimentos no momento presente ou o que diz ter vivenciado durante as situações evocadas durante a entrevista. Isto necessita que aquele que pratica esta técnica se concentre não somente no que a pessoa diz, mas também na maneira como ela diz.

O "reflexo" dos sentimentos é um meio e não um fim. Esta técnica não serve apenas para trazer à tona o que foi vivenciado mas, também, para evidenciar um certo número de problemas. O papel do profissional de aconselhamento consiste em funcionar como um espelho. Esta atitude aumenta a capacidade de compreensão do cliente sobre si mesmo.

Existem númerosos casos de má utilização desta técnica. A mais comum delas consiste em acreditar que a expressão e a identificação dos sentimentos e emoções possuem, por elas mesmas, um valor terapêutico, as vezes mesmo, de transformá-la em técnica principal. No aconselhamento as coisas não funcionam assim, e a eficácia da técnica do reflexo reside essencialmente no fato de que a expressão dos sentimentos é um meio e não um fim. É importante que o Cliente se dê conta por ele mesmo (para conduzir sua vida), não só do interesse que pode existir no fato de expressar seus sentimentos, em certas situações, mas, também no interesse que pode existir no fato de conhecer e confiar nestes quando está diante das pessoas e das situações.

A expressão dos sentimentos negativos ou hostis em uma relação e em um clima de aceitação tem habitualmente o efeito de desarmar os "acting out" (forte transferência, não devidamente analisada, que se traduz em ações reflexas por parte do Cliente). Sentir-se compreendido e aceito é um elemento importante em aconselhamento mas, em hipótese alguma, o trabalho do(a) aconselhador(a) deve ser reduzido a esta técnica.

O trabalho de formulação é muito importante, porque ele ajuda as pessoas a descobrir e ter confiança no que sentem e vivenciam.

Funções do reflexo:

Permitir a pessoa a se abrir ao que um determinado sentimento ou emoção lhe indica (por exemplo: o medo indica a existência de ameaça; a tristeza indica a existência de uma “ferida”, a raiva pode indicar a existência de um empecilho);

Ajudar a pessoa a reconhecer o sentimento expresso;

Verificar que houve uma boa compreensão;

Permitir que a pessoa tenha acesso (em seguida) a uma emoção subentendida.


O longo período histórico em que a abordagem Holística na terapia foi duramente perseguida, culminou na perda da identidade dos profissionais da área, que passaram a “imitar” o modo de agir de OUTRAS atividades estabelecidas, em especial, a classe médica, herdando destes o modo impessoal de interagir com o Cliente, seu linguajar e até os uniformes. Como parte da herança, tanto profissionais, quanto a clientela, contentavam-se com o simples alívio dos sintomas incômodos, encerrando de forma breve o vínculo, o qual, por si só, mantinha-se na superficialidade. Desta forma, tanto Médicos, quanto Terapeutas Holísticos, disputavam o mesmo mercado e também compartilhavam a crescente insatisfação profissional, dependente cada vez mais da quantidade de atendimentos para se atingir a justa gratificação pessoal e financeira.

Com o crescente resgate e revalorização das tradições milenares, a Terapia Holística se dá conta de que a abordagem puramente somática e reducionista lhe é insuficiente. Assim sendo, a conversação, a análise de sonhos, a interpretação das sincronicidades entre sintomas, acontecimentos da vida, os anseios transpessoais de evolução dos Clientes, enfim, um enfoque bem mais SUBJETIVO foi reintegrado ao atendimento. Este DIFERENCIAL, na verdade, uma retomada das raízes da profissão, resulta em que o público alvo deixa de ser o mesmo da medicina, e o vínculo terapêutico se torna muito mais profundo e duradouro. Desta forma, a GRATIFICAÇÃO (em todos os sentidos) origina-se da QUALIDADE da relação. Uma vez que a proposta não mais se limita à remissão de sintomas incômodos, ela se abre ao infinito, já que o autoconhecimento é um caminho contínuo e a qualidade de vida sempre pode ser ampliada, independente do estado em que se encontra o Cliente.

Tal movimento de resgate da Terapia Holística como ARTE é relativamente recente e se depara com o despreparo de muitas escolas, que esquecem de ensinar os fundamentos, no caso, o ACONSELHAMENTO, e que, contudo, ofertam em separado técnicas mais complexas, tais como Regressão/Progressão, Vivências Catárticas, resultando em pouco aproveitamento do potencial destes recursos.

Em contraponto, o Brasil apresenta-se pioneiro na (R)evolução da Terapia Holística, coordenando-se por meio do SINTE – Sindicato dos Terapeutas, em seus contínuos esforços para o aperfeiçoamento dos materiais didáticos disponíveis, simultaneamente ao estímulo de novos talentos, dispondo-lhes de oportunidades para exposição e publicação de seus trabalhos.

Objetivando a democratização do acesso à boa informação, destaca-se o trabalho da Comunidade de Estudos Avançados em Terapia Holística, que incluiu o Aconselhamento como disciplina obrigatória em todos os seus cursos, além de ministrar aulas pelo método EAD – Ensino à Distância, propiciando aprendizado independente da localidade em que o interessado estiver.


Cabe à categoria profissional vencer a inércia, unir-se e apoiar intensamente estas iniciativas.

 

Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho - Terapeuta Holístico - CRT 21001, é autor de diversos livros da profissão, ministra aulas na CEATH - Comunidade de Estudos Avançados em Terapia Holística.

contato@sinte.com.br

(11) 3171-1913

 

 

Destaques da Edição